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Qual é o seu patrimônio de verdade?
A conta que todo mundo faz olha só o que você tem hoje e o que você deve hoje. Ela deixa de fora as duas coisas maiores da sua vida: tudo que você ainda vai ganhar e tudo que viver do seu jeito ainda vai custar.
A conta usa só o rendimento dos títulos públicos — os ativos mais seguros da economia brasileira. Ela não considera o poder da diversificação nem investimentos de maior potencial: se o seu plano fecha aqui, ele fecha no cenário mais conservador que existe.
Os seus números não são gravados em lugar nenhum. O cálculo acontece, a resposta volta, e tudo é esquecido.
Montar meu balançoPrefere entender em vídeo antes de calcular? No canal Finanças Sem Achismo, o primeiro episódio explica tudo isso do zero.
Balanço Econômico Familiar
O que é este balanço. O balanço tradicional — o que um contador faria — olha só o que você tem e o que você deve hoje. O seu Balanço Econômico Familiar acrescenta os valores futuros, as duas coisas maiores da sua vida financeira: tudo que você ainda vai ganhar e tudo que a sua vida ainda vai custar. De um lado fica o que é seu; do outro, o que você deve; a diferença é o que sobra para você, em dinheiro de hoje.
As duas visões, nos botões acima: a Vida essencial usa o piso que você definiu — o que precisa estar garantido. A Vida ideal refaz a conta com a vida que você quer construir. A diferença entre as duas é o preço do seu sonho, em dinheiro de hoje.
Em cada caixa do balanço há um — clique nele para entender de onde vem aquele número.
O que é seu
O que você deve
Este número muda — e é para isso que existe acompanhamento
O seu balanço é uma fotografia com os números de hoje. Ele muda quando:
- Os juros mudam — a taxa dos títulos públicos muda todos os dias, e o plano inteiro muda junto.
- Os seus investimentos rendem menos do que a conta supõe — dinheiro parado no banco, taxas e impostos comendo a folga sem você ver.
- Um imposto entra em cena — vender um imóvel, resgatar um investimento, receber herança: esta conta não desconta nenhum deles, e calcular esse efeito no seu caso é trabalho de consultoria.
- A sua vida muda — salário, saúde, família, planos.
Por isso planejamento financeiro é acompanhamento, não uma conta que se faz uma vez. Refazer esta fotografia periodicamente — e decidir com ela o seguro de vida, financiar ou quitar, quanto guardar por mês, herança, sucessão e investimentos — é exatamente o que eu faço com os meus clientes.
Sou planejadora financeira CFA e CFP, consultora fee-only — eu não ganho comissão de produto nenhum. Meu único incentivo é você decidir certo.
Entendendo o seu balanço
Tudo que você ainda vai ganhar — quase sempre a maior parte
É simplesmente todo o dinheiro que você ainda vai receber trabalhando, até o dia em que parar. Nada mais que isso.
Nenhum banco coloca isso no seu extrato, mas é dinheiro seu — só que ainda não chegou. Se você tem 40 anos e ganha R$ 12 mil por mês, ainda vai receber uns R$ 3,6 milhões até os 65. Para a maioria das pessoas, essa é a maior quantia da vida inteira — vale mais do que a casa, o carro e os investimentos somados. Quem trabalha com finanças chama isso de capital humano.
É por isso que as datas que você informou importam tanto: são elas que dizem por quantos anos você ainda vai receber. A gente projeta o que sobra do seu salário até a aposentadoria e converte tudo para dinheiro de hoje.
E daí vem uma conclusão que quase ninguém tira: perder a capacidade de trabalhar é o maior risco financeiro de uma vida — não a bolsa cair. É um risco que se resolve com seguro, não com investimento.
Por que o seu FGTS aparece por menos do que diz o extrato
Porque duas coisas o encolhem ao mesmo tempo, e nenhuma delas aparece no aplicativo da Caixa.
1. Ele quase não rende. Pela regra atual, o FGTS no máximo acompanha a inflação — o Supremo garantiu esse piso em 2024. Na conta mais conservadora, o seu saldo empata com a inflação: continua comprando a mesma coisa daqui a vinte anos, mas não cresce nada além disso.
2. Você não pode usar agora. O saque só é livre na aposentadoria, numa demissão ou na compra do primeiro imóvel. E é aqui que está o efeito grande: quanto mais longe estiver o dia de usar, menos ele vale hoje. Um saldo de R$ 100 mil que você puder sacar em 2 anos vale quase R$ 90 mil hoje; preso por 25 anos, vale perto de R$ 25 mil. É o mesmo dinheiro — muda só a espera.
Nós supomos o cenário mais conservador: que você vai usar o FGTS só na aposentadoria. Se sacar antes, ele vale mais do que mostramos aqui.
Os seus bens, e por que a casa onde você mora é diferente
Imóveis, veículos e outros bens entram pelo valor de mercado que você informou — o preço pelo qual você venderia hoje. O financiamento que ainda falta pagar não é descontado aqui: ele aparece do outro lado do balanço, em "O que você deve". Cada coisa no seu lugar, e nada contado duas vezes.
Uma venda de verdade ainda teria imposto — e ele muda conforme o bem, o valor e a sua situação. Esta conta não desconta esse imposto; calcular o efeito dele no seu caso é parte do trabalho da consultoria.
A casa onde você mora tem destino marcado. Ela vale o que vale, e é sua — mas ela não consegue bancar o seu plano, porque no dia em que virasse dinheiro você passaria a pagar aluguel. É o mesmo bem entrando e saindo: você recebe o valor e ganha uma despesa nova. Por isso o número grande lá de cima já deixa a sua moradia de fora: ele responde à pergunta "o meu plano fecha sem eu vender o teto?".
Um imóvel alugado é o oposto: pode ser vendido sem mudar nada no seu custo de vida, então ele conta normalmente no número final. Só um cuidado com um erro comum — não some o aluguel que você recebe à sua renda. O preço de um imóvel de investimento já embute todos os aluguéis que ele vai gerar; contar os dois é contar a mesma coisa duas vezes.
Por que a sua aposentadoria vale tanto
A sua aposentadoria é uma das coisas mais valiosas que você tem: é um dinheiro que o governo paga todo mês, pelo resto da vida, e que é corrigido todo ano pela inflação. Ela não encolhe com o tempo — daqui a vinte anos vai comprar o mesmo que compra hoje.
Nós somamos todos os pagamentos que você ainda vai receber até a idade que escolheu e convertemos esse total para dinheiro de hoje. Não é a soma pura: R$ 1 daqui a vinte anos vale menos que R$ 1 hoje, e a conta respeita isso.
Usamos a mesma régua dos títulos do governo, por um motivo simples: um pagamento garantido pelo governo e corrigido pela inflação é exatamente o que um título do governo é. E vale destacar um ponto que confunde muita gente: o fato de a aposentadoria não crescer acima da inflação não quer dizer que ela valha o mesmo hoje e daqui a trinta anos. Uma coisa é quanto ela cresce; outra é quanto vale hoje o direito de recebê-la lá na frente.
Por que a dívida entra pelo que falta pagar, e não pela soma das parcelas
Porque o quanto falta quitar já é o valor da dívida hoje: é o que você pagaria para se livrar dela agora. A soma de todas as parcelas futuras é sempre maior, mas essa diferença são juros que você ainda não deve — cobrá-los hoje seria contar o mesmo custo duas vezes.
É a mesma lógica do resto da conta, só que do lado do que você deve.
Por que o seu custo de vida entra como uma dívida
Porque é um compromisso de verdade: você vai gastar esse dinheiro, mês após mês, pelo resto da vida. Um financiamento de 30 anos entra na conta; viver por 50 anos, não? A única diferença é que ninguém te manda o boleto. Convertido para dinheiro de hoje, esse compromisso costuma ser o maior de todos.
Aqui entram também os seus objetivos com data marcada — faculdade, uma reforma, uma viagem grande. Cada um é convertido para dinheiro de hoje pela data em que você quer realizá-lo: quanto mais longe, menos ele pesa agora.
Por que os valores futuros aparecem menores aqui
Tudo aqui está em dinheiro de hoje. R$ 100 mil que você só recebe daqui a 20 anos não valem R$ 100 mil agora — valem o quanto você precisaria ter hoje para chegar lá. É a mesma lógica de um imóvel financiado: ninguém diz que uma dívida de R$ 500 mil em 30 anos "custa" R$ 500 mil hoje.
Para fazer essa conversão usamos quanto os títulos do governo rendem acima da inflação, prazo por prazo — um número oficial, publicado pela ANBIMA, a associação do mercado financeiro — e já tiramos dele o imposto de renda. É exatamente a mesma régua que eu uso com os meus clientes de consultoria.
Por que a conta usa só títulos públicos
Todo rendimento usado aqui é o dos títulos públicos, o Tesouro Direto — os ativos mais seguros da economia brasileira. Quando esta conta diz que a vida que você quer cabe, ela está dizendo que cabe no cenário mais conservador que existe.
Ela não considera o poder da diversificação nem investimentos de maior potencial: uma carteira bem construída pode buscar mais do que isso — e desenhá-la é justamente o trabalho da consultoria.
É também por isso que o FGTS parece perder tanto: a comparação é com os títulos públicos, não com uma aplicação arriscada. O dinheiro parado no FGTS perde até para a opção mais conservadora que existe.